Os olhos dela se encheram
de lágrimas ao perceber o que estava por vir. Um de seus maiores receios iria,
enfim, se concretizar. Nenhuma palavra fora necessária diante do que seu
coração sentia e seus olhos observavam. Ela estava a um ponto de sofrer, muito
e como jamais previra. A dor antecedida por entreolhares e sorrisos apenas se
intensificava como uma certeza. A clara e evidente constatação não se demoraria, e como se fosse necessária, veio da mesma forma que um soco e não menos
amortecida pela ausência de surpresa. Contudo, ela não conseguiu chorar. As
lágrimas não vieram, embora uma dor desconcertante a comprimisse por dentro.
Ela só doía, uma dor seca que a deixava oca, vazia. Ia se esvaindo a cada gota
de dor e lamento. Assim, ela começou a
ter em si o único pensamento de não pensar, pra se expandir e preencher-se novamente aos poucos. Substituindo a dor por um doce de qualquer coisa que a
preenchesse de qualquer forma para que um dia possa, enfim, estar restaurada.
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