sábado, 10 de outubro de 2015

Sobre ela.

Os olhos dela se encheram de lágrimas ao perceber o que estava por vir. Um de seus maiores receios iria, enfim, se concretizar. Nenhuma palavra fora necessária diante do que seu coração sentia e seus olhos observavam. Ela estava a um ponto de sofrer, muito e como jamais previra. A dor antecedida por entreolhares e sorrisos apenas se intensificava como uma certeza. A clara e evidente constatação não se demoraria, e como se fosse necessária, veio da mesma forma que um soco e não menos amortecida pela ausência de surpresa. Contudo, ela não conseguiu chorar. As lágrimas não vieram, embora uma dor desconcertante a comprimisse por dentro. Ela só doía, uma dor seca que a deixava oca, vazia. Ia se esvaindo a cada gota de dor e lamento. Assim, ela  começou a ter em si o único pensamento de não pensar, pra se expandir e preencher-se novamente aos poucos. Substituindo a dor por um doce de qualquer coisa que a preenchesse de qualquer forma para que um dia possa, enfim, estar restaurada.

Nenhum comentário:

Postar um comentário