domingo, 22 de dezembro de 2013

Sobre ela

Ela cantou os versos que diziam aquilo que queria ouvir, mas não sentia que era suficiente. Sorriu o sorriso sincero e espontâneo de quem muito precisa, mas pouco demonstra. Sabia que seu espaço não era ali e que tinha muito o que fazer para chegar onde sonhava. Entre seus livros e a realidade vivia imaginando e planejando maneiras de encontrar o caminho e os motivos para ser feliz. Muitas vezes se enganou ao se deixar levar pelos sentimentos e por achar que assim seria temporariamente feliz. Ela soube quando as lágrimas viriam e as esperou sorrindo por compreender que elas seriam necessárias para o momento e deixou que rolassem sem pressa ou razão. Sentia que às vezes chorar também era uma forma de se entender e encontrar uma satisfação ou um alívio. Ela caminhou por ruas estreitas solidarizando com o silêncio, descobriu que poderia estabelecer critérios para si e celebrar o que ainda tinha para existir. Certo dia ela amanheceu e percebeu que estava se perdendo, indo para além do que se sabe. Sabia que estava na fronteira do consciente, do real com os devaneios e ilusões. A partir de então deixou de se preocupar com o futuro e viver exclusivamente o presente. Sorrindo e buscando apenas o que estava ao seu alcance, nada a mais, nada a menos.

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